Como a música pode ajudar nos estudos

Você já ouviu falar em Sugestopedia? Não? Então empatou com muita gente boa, que talvez pratique a técnica sem nem ter consciência disso.

Será o seu caso? Quer mesmo saber? Então responda: como você gosta de estudar:
1.    Em silêncio profundo e sepulcral;
2.    Com a televisão ligada, mas sem prestar atenção à programação;
3.    Com música de fundo, para relaxar;
4.    Nenhuma das três opções: só estuda com um aparelho de mp3 nos ouvidos.

Se você tiver marcado a opção 3 ou a 4, é um típico praticante do método sugestopédico. A sugestopedia considera que o estado obtido mediante o relaxamento bioenergético associado a música adequada é ótimo para a aprendizagem.

É o que afirmam cientistas que endossam as técnicas desenvolvidas na década de sessenta por um certo Georgi Lozanov.  Segundo o psiquiatra e educador búlgaro, as informações percebidas pelos sentidos, quando a mente se encontra em estado de vigília relaxada (ondas cerebrais alfa), são registradas na memória profunda de longo prazo.

Bonito, não? Mas como foi que o bravo Lozanov chegou a tão brilhante conclusão? Elementar, como diria ao nosso caro Watson o seu velho amigo Sherlock Holmes: botando os alunos para ouvir música e avaliando os resultados da experiência.

Assim, é? Basicamente, sim, com a diferença de que, depois de muito pensar, o pesquisador teve a ideia de separar as “cobaias”, digo, os colaboradores na pesquisa, em dois grupos. O primeiro simplesmente recebeu o material do teste e respondeu as questões. Obteve 25% de aproveitamento. Já os felizardos do segundo grupo se embriagaram com as obras de Bach, Vivaldi e Mozart, o crème dela crème da música de câmara, enquanto resolviam as mesmas questões. O resultado foi de 95% de acerto nas respostas.
Lozanov concluiu que algumas músicas têm a propriedade de facilitar a memorização de informações a longo prazo. É como se o cérebro “abrisse seus filtros” com mais facilidade para a música do que para qualquer outro tipo de informação. Segundo o cientista, a música barroca é a mais indicada para essa finalidade, por causa de suas sessenta ou setenta  batidas por minuto.

Lozanov usava a música em três momentos. Primeiro promovia, com ela, o relaxamento do aluno, conduzindo-o a um estado de vigília relaxada (diferente do sono). Depois, de forma dinâmica, tocava músicas bem expressivas enquanto transmitia as informações. Finalmente, para fixar a informação, recorria à música barroca.

Concluídos os experimentos, Lozanov chegou às seguintes conclusões:

1.  O aproveitamento escolar dos alunos submetidos somente a sessões de relaxamento antes das aulas pode melhorar em até 70%.

2.  Uma mente tensa é sempre dispersiva. Livre das tensões, os alunos conseguem desenvolver maior concentração.

3.  A primeira hora que se segue após uma sessão de relaxamento é altamente favorável a toda e qualquer atividade que dependa de imaginação e criatividade.

4.  Nos exercícios de relaxamento, os canais que unem consciente e inconsciente se tornam intransitáveis. Isso possibilita envolvimento mais completo da mente no processo intelectual.

5.  Com o relaxamento, nota-se sensível melhora em casos de gagueira e outros problemas fonoaudiológicos. A prática sistemática de relaxamento pode corrigir problemas que vão desde a timidez até crises de euforia.

6.  Os alunos submetidos a sessão de relaxamento antes da aula apresentam expressão facial suave, tornam-se mais receptivos e se envolvem mais facilmente com o assunto em pauta.

7. O excesso de tensão faz com que o cérebro opere em alta frequência, com até trinta ciclos por segundo, ritmo impróprio para qualquer atividade que envolva introspecção e aprendizagem.

Fui buscar em Lozanov a inspiração para este artigo porque vejo, no resultado das pesquisas por ele desenvolvidas, aplicação prática à vida dos concurseiros, que precisam ter atenção a cada detalhe de uma prova e manter-se permanentemente focados no objetivo de ser aprovado no concurso escolhido.

Vejo também grande afinidade entre a técnica sugerida pelo cientista búlgaro e o que é necessário no treino de um maratonista, atividade que, todos sabem, pratico como esporte e como preparação para minhas atividades diárias no Gran Cursos. Assim como convém ao concurseiro relaxar para preparar melhor o cérebro para o estudo, o maratonista não deve de forma alguma iniciar a corrida sem uma boa sessão de alongamento e aquecimento. Esses momentos são fundamentais para preparar o cérebro para o comando que vai receber em seguida: Vamos correr.

É assim que saímos do estado beta, de repouso, para o estado alfa, de ação. Isso vale tanto para o atleta de maratona olímpica, como eu, quanto para o aluno que se prepara para concurso público. É preciso saber dosar as energias e relaxar quando preciso, seja com música, como os alunos de Lozanov, seja por qualquer outro meio que ajude a alcançar com sucesso o resultado esperado.

J. W. GRANJEIRO

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